-------O belíssimo prédio do nosso atual Hospital Regional foi construído pelo senhor Adhemar de Barros, governador do Estado de São Paulo. Construiu-se o prédio para acolher o hospital de tisiologia, que se denominou, por receber o nome de seu fundador, “Hospital Sanatório Adhemar de Barros”.
-------No dia 14 de Agosto de 1945, foi ele inaugurado. Dera frutos a grande campanha reivindicatória levada a efeito por gente da região, notadamente por um cidadão a quem o nosso povo deve muito: PASCHOAL ARTESE.
-------Em setembro de 1945, no dia 20, fundou-se a Caixa Beneficente do Hospital Sanatório Adhemar de Barros, de Sapecado, município da comarca de São José do Rio Pardo. O primeiro dirigente do Hospital foi o Dr. Benedito Correa, diretor clínico da entidade e presidente da Caixa Beneficente. O nosocômio funcionava muito bem e recebia tuberculosos de diversas regiões do Estado.

-------No período que se estendeu de 1945 a 1977, as atividades do Hospital Regional se limitavam ao atendimento de tuberculosos, trazidos para cá por causa da excelência do clima e dos bons ares da serra. Não havia clínica geral na cidade, vinham médicos de cidades vizinhas medicar na nossa terra, mas eram raros.

-------O único médico que fixava residência em Divinolândia era o Dr. Ângelo Elizeu Franchi, conhecido pelo povo como Dr. Jacó. Verdadeiro factótum, o Dr. Jacó minimizava e mitigava as dores do povoado. Parecia um missionário.

------ -------Atendia o nosso povo, às vezes até com grande sacrifício. Atravessava pântanos, campos e florestas a cavalo para chegar ao paciente.
-------Apesar da presença confortadora do Dr. Jacó, a situação era desesperadora, dada a impossibilidade de um médico atender a todos os enfermos e dar solução a todos os problemas de saúde. Cirurgia não se fazia em Divinolândia. Até as pequenas cirurgias, os curativos e os partos causavam grandes transtornos no seio da população. O Dr. Jacó os fazia, mas não podia atender todo mundo... E quando o Dr. Jacó viajava?...
-------Muitas mulheres arranjavam parteiras experientes. Muitas morriam por que necessitavam de cesariana e o auxílio de fórceps se revelava insuficiente... Quantas gestantes eram levadas apressadamente para São José do Rio Pardo para darem a luz!
-------Pelas estradas esburacadas, semeadas de cavas e pedras, as grávidas iam gemendo, gemendo... E os motoristas contraídos e empalidecidos, com o coração batendo na palma da mão, confiando no bom desempenho do velho carro... Antevendo o parto no meio do caminho...
-------A cada freada, a cada arranque do carro, a cada atropelamento de pedra e de cada passagem pela cava correspondia um gemido inquietante da incômoda passageira. E o nosso Hospital? Infelizmente, ele se destinava exclusivamente ao tratamento de tísicos.
-------Voltemos à história do Hospital. Logo após a sua inauguração, o Dr. Jacó (Ângelo Elizeu Franchi), já pertencia, por nomeação, à primeira diretoria provisória da Caixa Beneficente. Nela ingressou em 28 de setembro de 1945.
-------O nosocômio tinha como dirigentes homens dinâmicos que, com o apoio governamental, criaram na casa de saúde um ambiente de convívio agradável e até empolgante: Criaram departamentos promissores como o Departamento Recreativo, o Departamento de Cultura, etc. Em 1947, projetaram um cinema para a casa, convidaram a Dra. Sinhá Junqueira para patrona do projeto do tal cinema, desde então denominado Cine Teatro do Hospital Sanatório Adhemar de Barros, de Sapecado.
-------A Dra, Sinhá Junqueira compareceu ao lançamento da pedra fundamental. A entidade chegou a adquirir a máquina projetora de filmes, mas, infelizmente, o projeto emperrou e os entraves sepultaram o seu futuro.
-------O Departamento de Cultura montou biblioteca com bom acervo, para satisfazer os pacientes com paciente curiosidade intelectual. O Dr. Jacó assumiu a presidência da Caixa Beneficente e a exerceu interinamente até ficarem prontas as contas do exercício de 1948, quando foi transmitida a presidência ao Dr. Benedito Mendes dos Reis.
-------Conforme documento do Hospital, em 26 de Julho de 1950, o presidente da Caixa Beneficente era o Dr. Bruno Quilici. Percebeu-se que havia sucessão freqüente na presidência da Caixa Beneficente, mas a 05 de abril de 1951, o Dr. -------Jacó foi nomeado presidente da Caixa Beneficente e Diretor do Hospital Sanatório Adhemar de Barros e foi-se reelegendo até 1977, quando, a 21 de dezembro, em reunião da Assembléia Geral da Caixa Beneficente, sob a presidência do senhor Antônio Haddad, ela passou a denominar-se “Associação Hospital Adhemar de Barros”. A nova diretoria foi constituída para o período de1978 a 1980. Só se apresentou uma chapa: a do senhor Oswaldo Lopes, prefeito municipal de Divinolândia.
-------O Senhor Oswaldo Lopes, trabalhando estafantemente, conseguira, com a paciência inabalável com a qual realizou centenas de viagens à Capital do Estado, transformar o Hospital Sanatório Adhemar de Barros (só para tísicos) em Clínica Geral. Reaproveitava-se assim, o prédio, pois o governador pretendia desativar totalmente o hospital, já que ele era mais um dos hospitais de tisiologia do Estado que a Secretaria de Saúde tencionava desativar.
-------Suprimida a clínica tisiológica, o prédio, que pertence ao Governo do Estado, seria colocado à disposição do governador, que lhe utilizaria como lhe aprouvesse.
-------Graças à intervenção do Prefeito Oswaldo Lopes, ele pôde ser utilizado para a instalação da Clínica Geral. E o senhor Oswaldo Lopes o fez com muito esforço, alentado pela lembrança dos dias em que sofreu profundamente a perda do filho Wagner Lopes, de dois anos de idade... Alento alimentado pela lembrança de uma dor que ele não queria que ninguém mais padecesse.
-------Seu filho não pudera ser medicado na triste Divinolândia da década de 60. Transportado a São José do Rio Pardo, às pressas, o menino, acometido de desidratação, morreu rapidamente. O senhor Oswaldo Lopes, ainda sobre abalo emocional, pediu a Deus ensejo de construir ou auxiliar a construção de um Hospital na nossa terra. Seu pedido foi ouvido e, em 1977, ele se tornava prefeito municipal de Divinolândia.
-------A Associação Hospital Adhemar de Barros, que surgiu a 21 de dezembro de 1977, teve como Diretor Presidente o senhor Oswaldo Lopes. Os dirigentes da Associação eram dezessete, número que reunia os membros da diretoria, os diretores adjuntos e os membros do Conselho Fiscal. Ocupava o cargo de diretor da Assembléia Geral da Associação o senhor Anselmo Domingos Fornari.
-------Todos esses dirigentes ocupavam cargos não-remunerados e dirigiam o hospital com dedicação e desprendimento, sem quaisquer interesses financeiros, apenas para proporcionarem à sofrida população de Divinolândia o mínimo de assistência médica.
-------A diretoria executiva do Hospital constituiu ao Dr. Naief Haddad Neto diretor clínico da Associação. Para diretor geral da Associação, com anuência da Secretaria da Saúde, foi nomeado o Senhor José Cabrera Quintana, advogado, habilitado em Administração Hospitalar pela USP.
-------Firmaram-se convênios com o INAMPS e com o FUNRURAL.
Outros médicos prestaram serviços relevantes à Associação, desde a sua fundação, como Dr. Freddy Antônio Mezgolits Barrios que, procedente do Paraguai, já residia na cidade, e o Dr. Julian Lew Skulski que nasceu na Ucrânia (uma das repúblicas da União Soviética), bem como a Dra. Maria Lúcia Cardoso de Paiva Haddad. O Dr. Naief Haddad Neto veio de Itajubá, MG, onde se formou juntamente com a Dr. Maria Lúcia Cardoso de Paiva Haddad, nossa cidadã, com quem se casou.
-------A Associação, para por em funcionamento o hospital, teve que firmar convênio com a Secretaria de Saúde, para obter a concessão do prédio, dos móveis, dos equipamentos e dos funcionários. Comprou muitos equipamentos e os instalou no prédio... E fez funcionar o hospital brilhantemente até 1987, quando o prefeito Aníbal Franchi Neto conseguiu regionalizá-lo.


A REGIONALIZAÇÃO DO HOSPITAL

-------Foi no governo do senhor Aníbal Franchi Neto, prefeito municipal de Divinolândia, que ocorreu a regionalização do hospital, ou seja, Associação Hospital Adhemar de Barros. O convênio mantido pela Associação com o governo estadual (Secretaria da Saúde) foi denunciado a Associação perdeu o direito de utilizar o prédio, os móveis, os equipamentos e de se beneficiar dos serviços dos funcionários efetivos do Estado.
-------A Associação opusera-se à regionalização do hospital porque não acreditava nos declarados benefícios que ela prometia. Encetou-se uma luta de homens determinados e honestos que forcejavam por manter o padrão de atendimento que a Associação garantia ao povo de Divinolândia... Homens que, movidos pelo profundo amor à cidade, não podiam admitir que a regionalização do hospital trouxesse benefícios iguais ou melhores que os que a Associação proporcionava ao povo.
-------A Associação, inconformada com a subtaneidade da denuncia do convênio, recuou-se a deixar o prédio e forçou a Fazenda do Estado de São Paulo a mover ação de reintegração de posse do Hospital. A Justiça concedeu limiar de reintegração de posse para a Fazenda do Estado em 12/09/86 e o CONDERG – Consórcio de Desenvolvimento da Região de Governo, de São João da Boa Vista, ao qual pertencia o prefeito de Divinolândia, Sr. Aníbal Franchi Neto, tomou posse do Hospital e lá instalou seus dirigentes.
-------Os dirigentes da Associação recuaram e recorreram da decisão judicial objetivando a cassação da limiar concedida à Fazenda. No dia 30/09/86, a Associação conseguiu cassá-la e se reinstalou no prédio. Começou, então, um longo período de negociações entre o CONDERG e Associação, que culminou num acordo através do qual a Associação se afastou definitivamente do Hospital, o qual passou totalmente para os domínios do CONDERG.
-------O prefeito de Divinolândia, Sr. Aníbal Franchi Neto, conseguia, assim, o seu objetivo: regionalizar o Hospital Adhemar de Barros, antes denominado Associação Hospital Adhemar de Barros. O Sr. Aníbal Franchi Neto era, na ocasião, um dos dezesseis prefeitos da região que dirigiam o CONDERG.


(Fonte: Livro "DIVINOLÂNDIA NOS CAMINHOS DO TEMPO" de Orlanda Grespan de Faria E Valter Lopes")

 

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