------- Quem pensa hoje que nas décadas passadas o povo era demasiadamente passivo e acanhado, engana-se. A Igreja promovia festas constantes e o povo ampliava e também criava as suas. Os imigrantes italianos que vieram depois da Abolição da Escravatura para trabalhar na lavoura de café, elevavam a temperatura da antiga Divinolândia (Sapecado, Espírito Santo do Rio do Peixe). Alegres e bem humorados, os italianos iam logo formando os cinturões de dança nos encontros festivos, sorrindo muito, gargalhando, fazendo bravatas, pondo todo mundo à vontade. Alguns desses imigrantes ainda são lembrados com carinho, alguns descendentes extremamente populares na antiga Divinolândia, como a família FORNARI que cultivava a música e organizou a banda que deixou muita saudade na nossa terra.

-------A banda animava todos os encontros e era quase condição SINE QUA NON para a realização das festas. Muito apegados a terra, nutrindo um amor profundo ao torrão onde se instalaram, os italianos, descendentes de italianos, espanhóis etc. e os da terra compunham músicas que eram verdadeiros registros do carinho inigualável que dedicavam a Divinolândia.

-------Sabe-se que em 1925 havia duas bandas na cidade: A FILARMÔNICA 7 DE SETEMBRO e a BANDA UNIÃO DO ESPÍRITO SANTO, bem organizadas, que fizeram sucesso no povoado.

-------Das duas bandas, uma se destacou sobremaneira, por causa da excelência das execuções e do talento dos músicos: a FLARMÔNICA 7 DE SETEMBRO, que era composta por ORFEU HERMÓGENES FORNARI, TORINO FORNARI, ABÍLIO JOSÉ FERREIRA (NEGO BRISDA), ASTOLPHO RIBEIRO DA CUNHA, AMÉLIO CARDOSO etc.

-------Os integrantes da banda compravam seus instrumentos e os consertavam. Tocavam por amor a arte e não recebiam incentivo importante da então subprefeitura, pois ela não dispunha de recursos financeiros.

-------Mas não faltava o incentivo de alguns cidadãos capazes de apreciar a música. O Sr. Beneamino (Bino) Martimbianco, por exemplo, aficionado da arte musical, promoveu festas na década de 40 para angariar recursos para a construção de um coreto na praça.

-------O coreto foi construído na área onde se ergue hoje a igreja matriz e lá se reuniam os componentes da banda, para alegrar a população.

-------O povo conhecia as músicas executadas fervorosamente pelas bandas e memorizava as letras. Uma das letras mais apreciadas na época pelo povoado (Sapecado) é a que se transcreve abaixo. Click aqui e veja a letra da música.


(Fonte: Livro "DIVINOLÂNDIA NOS CAMINHOS DO TEMPO" de Orlanda Maria Grespan de Faria e Valter Roberto Lopes")

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